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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um assunto para levar a sério



Simplesmente me impressiona como a maioria das pessoas se conformam com o que tem acontecido no nosso país em matéria de política. Não quero colocar aqui que todo mundo tem o dever de se inteirar sobre os assuntos do Estado. Mas seria interessante que essas pessoas que não dão a mínima para os assuntos políticos percebessem que o que é decidido pelo Estado tem uma enorme relevância para a vida delas. Não precisava de mais nada, apenas a grande noção de que, independente de gostarem ou não, ou de ser bom ou mal, o que é discutido em caráter oficial pelo Estado necessariamente afetará a vida dessas pessoas e das pessoas que elas tanto amam.

Pois bem, dito isso, o que vou discorrer aqui é o fato de que a população não entende ou não quer entender o poder que tem para transformar o caminho da história deste país. Pretendo também tentar identificar qual é a razão para a grande falta de noção por parte das pessoas e o que a falta de determinada noção pode acarretar no futuro da nossas vidas e o destino do Estado.

Muitos não acreditam, outros até duvidam, mas a verdade seja dita, o povo não é educado para refletir e questionar as incertezas que são promulgadas pelo Estado. Na medida em que não temos um povo “educado” temos então um povo individualista. Cada pessoa olhando para sua barriga se esquece que vive em coletividade, que vive numa sociedade e que necessariamente precisa pensar no próximo.

Entendo que é a falta de educação que leva o povo a adotar essa postura indiferente para com as decisões políticas do nosso país. Mas não é qualquer tipo de educação que faz com que o povo fique indiferente ao respectivo assunto. Na medida em que não condicionamos as nossas crianças e os nossos jovens a pensarem o que querem da vida e o que pretendem fazer pelo mundo estamos assim deixando dar um tipo de educação essencial para a existência da sociedade. Vejam, não me referi a nenhum tipo de ciência ou disciplina. Tampouco a alguma matéria em especial, mas no puro exercício da reflexão. Nossas escolas não estão fazendo com que as crianças pensem. Apenas decorem formulas e teorias para que passem em determinados concursos e nada mais. Não é isso que um individuo precisa. O individuo precisa de uma formação reflexiva onde ele esteja condicionado a ser disciplinado. E com a disciplina ele poderá obter o devido sucesso na vida. E com a disciplina e o aprimoramento da conduta e reflexão política, o individuo deixa de ser individuo e passa a ser tratado como CIDADÃO.

O problema é que atualmente nos encontramos numa educação meramente operária, onde se aprende aquilo que se deve aprender e nada mais. Não se é explorado a capacidade intelectual do individuo, não o estimula a sonhar. Somente o faz crer que ele precisa trabalhar para pagar as suas contas, trabalhar para comprar porcarias com tempo de duração determinado, trabalhar para pagar as dividas que contraiu por conta das compras realizadas, etc. O individuo cresce e aprende rápido que ele necessita do dinheiro. Como consegui-lo? Ou trabalhasse ou parte para a marginalidade...

Na medida em que não somos condicionados a determinados tipos de educação nos tornamos incapazes de olhar para cúpula do poder e questioná-los. O individuo atualmente é transformado num saco de batatas, num bundão. Onde se tem medo do poder ou daquele que prega o poder. Mas o poder esta no povo, pelo menos é o que diz a constituição. Mas o que fazer se o povo não sabe que tem poder?

Nem tudo são rosas. Para tirar o poder do rei foi preciso cortar-lhe a cabeça. Esse evento ocorreu durante a revolução francesa que teve inicio no ano de 1789. Na França daquele tempo eles também sofriam com alguns “problemas de poder” assim os julgo. O poder concentrava-se na mão de uma só pessoa. O povo sentia fome, necessidade de mudança. Diferente do cenário atual, naquela época eles exigiam a liberdade que não tinham. Exigiam um poder fulcrado na igualdade, e uma sociedade mais fraterna, solidária. Para que esses ideais fossem colocados em prática foi necessário muito derramamento de sangue. Inclusive o sangue daqueles que deram inicio a revolução (vide o exemplo de Maximilien Robespierre, “o incorruptível”).

Maximilien Robespierre foi um advogado e uma das principais figuras da Revolução Francesa. Fora eleito deputado e um dos responsáveis pelo processo a qual levou a decapitação do Rei Luís XVI. Implantou o regime do Terror e mais tarde acabou sendo capturado pelos seus inimigos e decapitado.

A mudança só aconteceu por que o povo daquele país e daquela época assim queriam. Não queriam mais o poder concentrado na mão de um único homem. Não queriam mais ver o valor dos impostos subirem ao ponto de não ser mais possível comprar pão e sequer trigo! Não queriam mais ver toda as regalias e privilégios concentrados em uma só classe (a nobreza). Foi com uma dura postura, uma postura um tanto radical, que o povo francês fez a revolução que modificou o rumo da história naquele país e desde então deu-se inicio a um novo capitulo na história da humanidade, o capitulo que coloca o poder na mão do povo.

Os países foram se unificando e continentes sendo explorados. Com o passar do tempo os ideais democráticos foram tomando forma. E assim a democracia tornou-se o regime dos Estados modernos.

Contudo, nos encontramos na ditadura da democracia. Como assim me perguntarão. É difícil de se entender, pois é difícil de explicar, mas na medida em que a base da sociedade (o povo) não esta condicionado a refletir e a participar das questões políticas, mais presos estaremos a eternos governos de políticos corruptos. Para o corrupto tanto faz se você esta bem ou não, o que importa é saber que você não tem noção do seu poder, que você não quer tirá-lo do poder.

Todo ano é sempre a mesma história. O Brasil é um país enorme, tem uma das melhores economias do mundo, porém, seu índice educacional chega a ficar atrás de países que não estão entre os melhores na economia mundial. Não precisa de explicação, isto por que para os atuais governantes, os atuais detentores do poder, para eles esses índices que demonstram que o nosso país fica atrás de países menos desenvolvidos que o nosso em quesito de educação nada mais é que um índice que fortalece a manutenção do sistema. Pois constata-se que pelo fato de termos uma péssima educação temos também um povo sem noção alguma de poder, assim, fica mais fácil de perpetuar certas famílias no poder...

Não obstante o já mencionado acima, para aqueles que estão no poder não é viável que a população tenha um pingo de conhecimento ou que promovam a cultura. O mesmo se diz aqueles que enfrentam uma séria luta contra as drogas. Para aquele que se encontra no poder é melhor que os jovens se convertam em marginais ou que se percam no mundo das drogas, pois assim fica cada vez mais fácil se perpetuar no poder.

Pensam que a coisa termina por ai? Na medida em que acreditamos que todo político ou todo aquele que se envolve com política é moralmente sujo estamos, de certa forma, concretizando os ideais daqueles que se encontram no poder. Pois quanto menos você se importar com a política, mais fácil será para eles controlarem a sua vida.

Assim, é notável que para causarmos uma modificação na estrutura do Estado e da sociedade primeiramente precisamos causar uma modificação em nós. Paremos de pensar que não é importante levar em consideração os assuntos que são discutidos pelo Estado. Deixemos de tratar como “assuntos para gente chata” o que pode dar rumo as nossas vidas. Passemos a acreditar que com a união de todo mundo ainda será possível construirmos uma história na qual as futuras gerações, ao olharem para o passado, não sintam vergonha ou se decepcionem com o que poderíamos ter mudado e não mudamos.



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